Prêmio Braskem:
25 anos de história

Por Monique Lôbo


Premiação do Espetáculo Adulto Rebola na edição 2016 (foto: Betto Jr./Arquivo Correio)

O teatro baiano viveu um período de efervescência na década de 90 que reaproximou o público de suas montagens. Com o sucesso de espetáculos como O Recital da Novíssima Poesia Bahiana, A Bofetada, Os Cafajestes e Oficina Condensada, uma nova era que impulsionou a cena nacionalmente se fez presente. Foi em meio a esse cenário que o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), sob influência do jornalista José Cerqueira Filho – então assessor de comunicação social da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) –, decidiu criar uma premiação cultural no estado. Para isso, buscaram a ajuda de Marco Antônio Queiroz e Jorge Albuquerque, que tinham acabado de montar uma produtora cultural, para idealizar o projeto.

Juntos, tiveram a ideia de conceber um prêmio de teatro já que, mesmo com o número crescente de produções aclamadas pelos expectadores, havia uma carência de mecanismos que valorizassem e validassem essas montagens. Dessa forma, nasceu o Troféu Bahia Aplaude, em 1993. “Lançamos o projeto para a comunidade e ele foi muito bem recebido. Teve uma resposta positiva dos atores, produtores, diretores de teatro e também da imprensa", conta Marco Antônio.

Seis anos depois, o evento passou a ser patrocinado pela Copene e foi rebatizado de Prêmio Copene de Teatro.

Em 2001, a Braskem adquiriu a Copene e foi então que, no ano seguinte, o evento ganhou o nome de Prêmio Braskem de Teatro. Concebido com o intuito de valorizar a cultura e produção artística da Bahia, além de contribuir com o desenvolvimento do mercado, o Prêmio Braskem de Teatro teve desde sua primeira edição, na concepção do formato da cerimônia, a marca que carrega até hoje como uma de suas principais características: contar a história do teatro baiano.

Em 1993, a cerimônia contou com uma encenação escrita por Elias Franco, dirigida por Paulo Dourado e interpretada pelas atrizes Rita Assemany, Regina Dourado e Ilmara Rodrigues. “Desde o começo teve esse conceito muito forte e sempre com uma atitude muito profissional por parte da produção e de todos os artistas convidados", lembra Marco Antônio.

Valorização

O cuidado com a profissionalização sempre foi muito prezado pela premiação. Era muito difícil encontrar profissionais que viviam somente do teatro no estado, muitos sobreviviam com outros empregos e foi, justamente, esse novo pensamento profissional que começou a mudar o mercado.

O prêmio foi uma peça importante nessas transformações, especialmente na década de 90 e no início dos anos 2000 quando surgiu uma geração de ouro do teatro baiano. Nomes como Wagner Moura, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta, Cyria Coentro, Érico Brás, Fábio Lago, Ana Paula Bouzas e João Miguel passaram pelos palcos do Prêmio Braskem de Teatro. Hoje, esses mesmos nomes figuram produções nacionais e, até mesmo, internacionais.

Wagner ganhou o troféu de revelação do ano em 1997 e foi o homenageado do ano de 2010; Lázaro concorreu cinco vezes e ganhou uma homenagem especial no ano de 2013; Vladimir se consagrou melhor ator em 1999; mesmo ano em que Ana Paula Bouzas levou o prêmio de melhor atriz; Cyria, por sua vez, venceu como melhor atriz em 2014; já Érico conquistou a categoria de ator coadjuvante em 2007; em 1994 foi a vez de Fábio ganhar o troféu de melhor diretor do ano; e João Miguel foi aclamado melhor ator em 2001. “Eu entendo que o Prêmio Braskem incentivou uma geração e valorizou esses artistas que hoje em dia estão fazendo muito sucesso", avalia Marco Antônio.